Desconversas:Na panela!

Papo cabeça

Este artigo faz parte do Desconversas, o maior acervo de papo furado da Internet.

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É meio-dia. Ou quase isso. Tempo tão quente que faria o diabo e os habitantes de Mossoró pedirem arrego.

No meio daquele monte de nada quase deserto, há quatro elementos. Um caubói solitário. Um cavalo. Um casebre quase em ruínas. Um poço de água suja. Na placa do poço, estão os dizeres "água suja"... mas como já sabíamos disso, vamos ao que interessa; o casebre é um banco. "Primeiro Banco Federal de Tucumcari".

O forasteiro entra no banco. O lugar parece maior por dentro que por fora. Da porta até o balcão, é praticamente um caminhão de distância. Mas como os caminhões ainda não tinham sido inventados naquela época (e eu tô enrolando pra caralho), o cowboy dirige-se ao único funcionário: um simpático velhinho.

  • Forasteiro: Cquote1.svg Lugar bonito... Cquote2.svg
  • Simpático velhinho: Cquote1.svg É um verdadeiro conforto para os clientes! Cquote2.svg
  • Forasteiro: Cquote1.svg E quem seriam? Cquote2.svg
  • Simpático velhinho: Cquote1.svg Oh, pessoas de Val Verde, Tucumcari, é claro. O povo da região. Já tentaram até assaltar aqui uma vez, não foi legal. Tive que subir nesse balcão, com minha arma, pra acalmar o pessoal... Ah, trabalho de doido. Coisa de doido. Cquote2.svg
  • Forasteiro: Cquote1.svg Já foi roubado? Cquote2.svg
  • Simpático velhinho: Cquote1.svg Oh, claro que sim. Devo dizer que tentaram, por duas vezes. Matei um bem aqui, à queima-roupa. Bingo! O outro deixei pro xerife. As pernas do coitado ficaram estropiadas, prendi o homem num cofre, aquele bem grande ali. O cara da estrelinha só passa aqui uma vez por mês, tive que... Cquote2.svg

Quanto mais aquele velhinho falava e falava, o forasteiro ia ficando visivelmente cada vez mais puto da silva. O velhinho continua falando sozinho, até o momento em que o "cliente" decide olhar para trás e depois sacar uma arma na direção do indefeso senhor.

  • Velho bancário: Cquote1.svg [...] da F... F... França. Cquote2.svg
  • Ladrão: Cquote1.svg O dinheiro. Cquote2.svg
  • Velho bancário: Cquote1.svg M-mas eu ainda nem almoc... Cquote2.svg
  • Ladrão: Cquote1.svg O di-nhei-ro. Cquote2.svg
  • Velho bancário: Cquote1.svg Tá bom, vou pegar aqui. Com licença. Cquote2.svg

Muito lentamente, e ignorando a osteoporose, o velhote se abaixa.

Percebendo que algo poderia dar errado, o ladrão aproxima-se; e quase ganha chumbo grosso nas canelas. Na parte de baixo detrás da madeira, o velho dá um tiro de doze, e outro, e mais outro, porém o meliante salta ligeiro feito uma pantera no cio e equilibra-se sobre o balcão. Com aquela cara de "que merda é essa que acabou de acontecer", ele procura o até então simpático velhinho com o cano do revólver, e como não o encontra, resolve pular a grade e encher o saco de dinheiro para tentar fugir. Mais desesperado que estudante atrasado para o ENEM, o ladrão quase chega ao cavalo, mas leva um tiro pelas costas. Largando o dinheiro, ele se arrasta até o poço de água suja, saca o revólver e mira de volta em direção ao banco.

Nada ainda. O ladrão se esconde. Ele tenta chamar o cavalo na base do assobio, o que é inútil, pois bons animais geralmente só respondem a bons e inocentes meninos que escrevem cartinhas para o Papai Noel.

Passados alguns instantes, ouvem-se risadas diabólicas de tão histéricas. Junto com elas, um distinto som de panelas.

Desconfiado, o ladrão se levanta e avista o velho, que vem correndo em sua direção. Todo destrambelhado, cheio de panelas chacoalhando no corpo, tal qual um Menino Maluquinho vindo da Deep Web.

O ladrão atira. Bang. Clang.

  • Velho: Cquote1.svg Na panela! Cquote2.svg

E o velhinho atira com sua espingarda, acertando na mureta do poço. Mais risadas...

O ladrão atira de novo. Bang. Clang.

  • Velho: Cquote1.svg Na panela! Cquote2.svg

O velhinho atira mais uma vez, acertando o poço de novo.

O ladrão atira pela terceira vez. Bang. Clang.

O ladrão atira de novo, e acerta numa panela de novo. A essa altura, o velho já tá tão perto que o derruba com uma coronhada. E o ladrão cai duro feito um tolete.